O prefeito de Parauapebas, Aurélio Goiano, participou do evento realizado em Carajás na última sexta-feira, 14 de fevereiro, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do governador do Pará, Helder Barbalho, ministros e diversas autoridades. No entanto, um fato chamou atenção: Aurélio Goiano não teve espaço para discursar, apesar de ser a maior autoridade municipal. Pelo menos na transmissão oficial do governo federal, não houve qualquer registro de sua fala.

Segundo o próprio Aurélio, ele esteve no evento a convite do governador Helder Barbalho e da Vale. Além disso, há relatos de que o prefeito chegou ao evento após seu início, o que pode ter comprometido sua participação. A grande questão, no entanto, permanece: por que Aurélio Goiano não teve voz em um evento de tamanha relevância para Parauapebas, amplamente transmitido para todo o Brasil?
Teria sido uma estratégia para evitar declarações polêmicas, dado o histórico de Aurélio como opositor ferrenho do PT e aliado de Bolsonaro? Ou um recado político de que, agora como chefe do Executivo municipal, ele precisa adotar uma postura mais pragmática para garantir recursos e investimentos para a cidade?
Mediação Política e Símbolos do Evento
Um dos momentos mais emblemáticos do evento foi a cena em que o governador Helder Barbalho pegou na mão de Aurélio e o conduziu até o presidente Lula, numa demonstração clara de que a mediação política foi necessária. Mas essa aproximação representa uma reconfiguração da relação entre o governo estadual e o municipal, ou foi apenas um gesto protocolar sem maiores implicações políticas?
Investimentos Bilionários e a Ausência de Protagonismo Municipal
O evento teve como ponto central o anúncio do programa “Novo Carajás”, no qual a mineradora Vale investirá R$ 70 bilhões entre 2025 e 2030 na ampliação da produção de minério de ferro e cobre na região. Esse montante deve impactar diretamente a economia local, a geração de empregos e a infraestrutura do município.
Diante desse cenário, a ausência de fala de Aurélio Goiano levanta questionamentos sobre seu papel na articulação política e na defesa dos interesses de Parauapebas nesse contexto de grandes investimentos. Como chefe do Executivo municipal, espera-se que sua atuação vá além das disputas ideológicas e se concentre na construção de pontes para garantir que o município seja beneficiado de forma significativa pelos novos aportes financeiros.
Caso pretenda consolidar Parauapebas como prioridade nas discussões políticas e econômicas dos próximos anos, Aurélio precisará ajustar sua estratégia e assumir uma postura institucional que transcenda embates partidários. Afinal, quando um prefeito perde espaço em eventos dessa magnitude, quem realmente sai prejudicada é a população que ele representa.
